Press "Enter" to skip to content

Me diz meu amor

Last updated on 19 de January de 2022

Por esses dias…peguei no cavaquinho pra matar as saudades do samba, e depois de abraçá-lo ao peito com carinho, ele me perguntou.
_Poeta! Quando voltaremos pro samba? Estou sentindo tanta falta da roda com os nossos amigos; o violão, o pandeiro, o surdo, o tantã, o tamborim…Ah! e da nossa amiga Andiara, com o nosso “Clube do Samba Potiguar”.
Por um momento, franzi a testa e pensativo lhe disse.
_Pois é, meu dileto amigo cavaquinho, tá difícil viver assim, longe do prazer do samba com os amigos, pois nós dois fomos acostumados com ele, pelo Beco da Lama, Ponta Negra e outras paragens da nossa cidade, tendo a lua como testemunha e muitas vezes até o romper da alvorada, com o sol nos ordenando pra dormir. Num é?
E ele sorrindo me falou.
_Sim, meu caro sambista.
Por um momento coloquei a cabeça na janela, respirei fundo o ar puro da noite embalada pela sinfonia dos grilos, botei mais uma dose do velho e bom uísque, como faria “O Poetinha”, e concluí.
_Não sei quando precisamente, mas o que eu sei, é que voltaremos para os braços do samba, cavaquinho, disso eu tenho certeza, mas, por enquanto ainda é preciso ter cuidado e paciência.
E ele riu mais uma vez, e cheio de esperança, disse-me.
_Sim, claro, é por isso que venho tanto almejando…
E depois que o guardei, com o olhar nostálgico e marejado, cá comigo, cantarolei bem baixinho uns versos de um samba feito recentemente e que ele ainda não conhece, mas, que vai adorar quando no seu minúsculo braço eu o harmonizar, tocar e cantar.

Me diz meu amor…
Se a pandemia acabou?
A vida tá tão triste…
O mundo tá um horror…
Me diz meu amor….
Se a vacina já chegou?
A vida tá tão triste…
O mundo tá um horror…

Madrugada de 29/09/ 2020

Be First to Comment

Leave a Reply

Your email address will not be published.